segunda-feira, 25 de junho de 2012

O garoto colocou a mão no papel,
contornou-a com lápis...

Isso não é poesia.
É imitação grosseira da realidade.
Poesia é o que o Manoel fazia,
esbanjando o português,
espremendo o cérebro
na busca de qualquer combinação específica de palavras,
que surtisse qualquer inexplicável efeito narcótico nos outros idiotas
e assim o chamassem gênio.
Poesia é o que ele fazia pensando, mutatis mutandis, "nossa, vão pirar nisso aqui"!
Isso é poesia.

Não aquela mão ridícula,
daquele menino ridículo,
tremidamente,
mediocremente,
desleixadamente,
despretensiosamente
contornada num pedaço de papel.

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