segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Essa é uma boa noite para morrer


Essa é uma boa noite para morrer,
estou satisfeito, 
mesmo sem ter alcançado meus objetivos de vida (que objetivos mesmo de vida?)
despreocupado,
alheio a todas as responsabilidades que trazem ser ser humano.

eu não preciso ser rico
eu não preciso ter sucesso
eu não preciso entender
eu não preciso ajudar
eu não preciso orgulhar mamãe
eu não preciso ser bonito
eu não preciso fazer o bem
eu não preciso fazer justiça
eu não preciso correr
eu não preciso andar
eu não preciso comer
eu não preciso
viver

Eu não preciso!

Me sinto livre assim essa noite,
por isso uma boa noite para morrer.

Amanhã me enganarei de novo justificando minha vida,
me distrairei de novo,
inventando todos os sentidos do mundo,
todas as vontades – principalmente a de estar vivo –,
e a morte voltará a ser um terror.

Essa é uma boa noite para morrer,
me sinto alegre, sorrio e me divirto,
que tragédia seria para os homicidas
se todos encarassem a vida como eu,
que tragédia seria para Deus, para o Papa, para os Beatles,
que tragédia seria para os gregos, para os Estados Unidos
se todos desprezassem a vida como eu,
ou fossem analfabetos.

Essa é uma boa noite para morrer,
à noite eu nasci,
à noite eu devo morrer,
amanhã é um nojo,
será dia.

domingo, 9 de setembro de 2012

Desconstruindo o poema

O desatino

"A verdade nem sempre é bonita" 
Confesso que é um plágio. Mas tudo não começa do nada, mas de algo que já existe; e assim foi que aconteceu, como se iniciou o desatino que se enveredou para:

"A verdade agora será mentira amanhã?
ou
A verdade agora já é mentira neste exato momento?" 

(o itálico é pra dar um ar de questão filosófica)

Esse foi o start, a Grande questão, o incômodo. Mas que não convém aprofundar agora neste instante.

A descoberta

Por acaso, hoje descobri duas palavras novas: MISANTROPIA e MODORRA.
Fui procurar o significado delas no dicionário de bolso do Aurélio Buarque de Holanda (não é o pai do Chico Buarque, viu?) e encontrei o seguinte:

1ª) Misantropia. sf*. Aversão à sociedade, aos homens.

2ª) Modorra. sf*. 1. Prostração mórbida, ou sonolência, ou preguiça. 2. Insensibilidade, apatia. [Var.: madorna]

Descobri então a causa de muita coisa em minha vida.
Sofria de MISANTRODORROPIA.

*obs: Quando era mais novo, não sabia o que significada esse "sf" antes do significado da palavra e interpretava como se fosse abreviação de "se fudeu".

A memória curta (ou: as consequências)

Penso e lembro de duas coisas que ouvi/li recentemente:

1) "Nada é suficiente" trecho da peça 'À primeira vista' do autor Daniel MacIvor.
e
2) "Não tenho mais tempo algum,
ser feliz me consome" do poema 'A Criatura' da Adélia Prado.

A síntese (ou: o poema)

Ser feliz? é...
Nada me consome
Não tenho a Verdade agora
Já a mentira 
Agora
Será verdade
Suficiente.

domingo, 2 de setembro de 2012

Vinicius de Moraes - documentário em 5 partes.

auto-controle


Eu falo comigo mesmo,
eu brigo comigo mesmo,
eu me repreendo quando faço merda
e me orgulho de mim quando mereço.

Vivo a mim preso,
e só com minha permissão
é que serei livre.

Eu transo comigo mesmo,
eu choro comigo mesmo,
eu me alegro quando estou triste,
e me esqueço quando apaixonado.
Eu sou o que sempre quero,
eu sou o que nunca tive.

Vivo a mim eternamente acorrentado
e só com minha chave
é que serei livre.

Eu sou o meu próprio paraíso,
eu sou o meu próprio inferno,
eu sou o que sempre ignoro,
eu sou o que sempre preciso.

Vivo por mim excelsamente condenado,
e só com minha absolvição
é que serei livre.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

missiva


Viajo amanhã e não poderia deixar de te escrever esta missiva consignando minhas escusas. Que a tepidez do meu arbítrio lexical não impinja em tua augusta alma perverso influxo: amei-te. Amei-te como as moças amam, de modo onírico, os rapazes, como as filhas amam, em libidinal segredo, seus pais, como a cabeça ama, inexoravelmente, os troncos e os membros. Amei-te a você, assim, coloquialmente, e não na segunda pessoa do singular, como na forma culta. Amei-te intensamente, cegamente, impavidamente. Amei-te, e já não te amo. Escrevo-te sendo certa e errada, certa na gramática e errada no teu orgulho, errada, porque há imperativos de moral, de consideração, de amizade, certa, porque no amor não se erra, certa, porque tenho convicção de meus sentimentos, errada, porque os sentimentos não são convictos de si mesmos, porque a ternura do sol vernal, será tortura do sol estival e tornar-se-á novamente delícia do sol hibernal, certa, errada, certa, errada... Não ignoro que ainda me amas, ignoro, sim, a regra dos amores, ignoro porque se ama quem não ama em retorno. Muita vez me assombro conjeturando ser o amor, por ligar duas almas, linha, e, sendo linha, apenas ficção da geometria. Ignoro o motivo de me amares e eu não te amar. Ignoro-o. Não por indiferença, gostaria de amar-te também, gostaria de poder tornar nosso relacionamento, nossos sentimentos justos, simétricos, equânimes. Mas não te amo. Em vão procurei, nesses dias que sucederam nossa separação, e até antes, a razão de eu não te amar. Ela não existia. Dessarte, inverti a interrogativa: Por que razão tu me amas? Porque eu sou bonita?! Então queres pra ti o belo, julgas-te digno do belo, tens vaidade de possuir o belo!? Porque sou inteligente, culta, porque tenho qualidades, porque me admiras?! Nesse caso, queres para ti minhas qualidades!? Queres sentir-te inteligente por ter curvada a ti uma mulher inteligente!? Queres sentir-te culto por não enfadar uma mulher culta!? Queres sentir ser um homem de qualidades e virtudes por ser amado por uma mulher de qualidades e virtudes!? Me amas, de certo, porque eu faria tudo por ti, cuidaria de ti?! Então pensas, novamente, no teu próprio bem, na tua própria comodidade!? Por que me amas?! Porque eu não te amo?! Queres então ser capaz de conquistar o impossível!? De reverter meus sentimentos!? De dominar, desbravar, conquistar, tomar meu amor, como Alexandre e Gengis Khan tomaram o mundo!? Queres, pois, adentrar, dominar e proclamar-te imperador do reino de mim!? Ora, se esse é o caso (e tenho para mim que sim, pensa bem), todos os reinos são reinos igualmente dignos de serem conquistados, tu não haverás de discordar que, se tivesse nascido inca, Alexandre teria dominado as Américas com o mesmo prazer, orgulho e vivacidade que experimentou dominando a Eurásia. Escrevo-te essa missiva suplicando teu perdão, suplicando que me esqueças, que sigas em frente, que não chores, meu colega, que não me odeies, pois amas-me a ti mesmo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Minha mãe não me deixa sair


Mendigos da praça da igreja,
garis, presidiários,
turistas, guardas,
garotas do colégio Mace (eu vejo vocês,
ao meio-dia, na Rui Barbosa, na Quinze de Novembro, namorando e esperando, nos mesmos lugares que as prostitutas e os travestis, à meia-noite),
prostitutas, travestis,
crentes malucos que anunciam o fim dos tempos aos berros no centro,
mulheres, homens
de toda sorte:
minha mãe não me deixa sair!

Espíritos da Avenida Afonso Pena,
a avenida da minha vida,
a avenida de carros e construções...
Batuque de máquinas!
Cafofo do universo!
Cafofo de fraqueza, hipocrisia, fantasia e grandeza!
Imenso lugar minúsculo!

Minha casa é menor ainda;
meu corpo...

Casas, lojas, repartições públicas,
shoppings, bares, lanchonetes,
negro asfalto sarapintado em sangue,
postes, cabos condutores de eletricidade,
prédios gigantes, ásperos, escarpas de concreto...

(Tudo isso é morto.

Tudo isso é morto e ainda assim o amor está ali,
tão forte, tão óbvio, tão nítido,
que causa vertigem,
que resiste ao Sol escaldante da tarde,
que nunca evapora.)

Pombas, pardais:
minha mãe não me deixa sair!!

Motoqueiros acidentados,
no chão de quarenta graus,
sangrando, mutilados,
bandidos, ladrões,
noiados, estupradores,
deficientes físicos, cadeirantes,
cegos, deficientes mentais,
deficientes de caráter, de personalidade,
atletas, madames, fazendeiros merecidamente podres de ricos,
filhos de fazendeiros, playboys musculosos, agressivos,
homossexuais enrustidos, padres, eu pequei,
anões do residencial Flamboyant:
minha mãe não me deixa sair!!!

Oh, desespero da humanidade,
do humano, demasiado humano,
de páginas e páginas,
de livros e livros que eu não li, + q quero ler pq o título eh massa.
Hey, John Lennon, Cartola, Beethoven:
minha mãe não me deixa sair!!

Que vento é esse,
que arrouba, arranca, arrebata,
arrasa, arromba, arralenta,
arranha, arreganha, arrepia, desarranja,
que mata e não se arrepende,
que arrama, que arrasta as sementes e arremessa a vida,
arretado, que arria o rapaz e arriba a saia da moça,
que abre e fecha portas e janelas, abrupto,
que tudo leva, que tudo traz,
que assovia chamando: Pedro,
que acaricia,
que, vazio, é cheio de significado?

Volúpia dos violões...

Versos vibram,
vociferam vadios.
Vermes!!!
Se alimentam do meu sofrimento
- me alimento do meu sofrimento -
se aproveitam de minha nobreza,
minha preguiça, minha vaidade. Minha mãe
não me deixa sair.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

A arte pela arte ou a arte para um fim? that's the question...em aberto.

Eis que Pedrocemvezes faz uma pergunta: as musas de hoje não são mais perfeitas como antigamente eram? Eis que seu interlocutor lhe pergunta: O que é perfeição pra você? Eis que Pedro responde: o Belo. Eis que o outro rebate: Mas o belo não é igual pra todos e, além disso, o Belo nada mais é do que algo criado, racionalmente, para ser belo para determinado público, com o intuito de atingir certo objetivo - causar uma emoção ou um comportamento - pretendido pelo artista. Eis que Pedro não se conforma e insiste que o Belo é o belo e nada mais, e a arte não pode ser somente pragmática, feita com um fim determinado de causar um impacto ou uma emoção controlada pelo artista nas pessoas atingidas por sua obra. Eis que surge, na minha cabeça, o seguinte questionamento: "A arte pela arte ou a arte para um fim?"
Para responder essa pergunta, com certeza, seria necessário um estudo aprofundado sobre a história da arte, desde os tempos remotos dos nossos descendentes primatas das cavernas até os dias de hoje, mas como este é apenas um blog, e não uma revista científica, e os autores são apenas diletantes, e não estudiosos da cepa de um Umberto Eco (felizmente!), então vamos ao improviso...
Mas, antes, transcrevo o trecho de um texto do Paulo Francis que, por coincidência, li ontem e ajudará nesta reflexão improvisada - proponho que este post fique em aberto para intervenções minhas (fonte na cor de sempre) e de Pedrocemvezes (fonte em outra cor de sua preferência ou com aquele grifado branco que você tá usando). Por enquanto, delicie-se com o texto do Paulo Francis:

Os artistas são, entre outras coisas, os historiadores supremos do indivíduo. O desenvolvimento acelerado das ciências sociais no século XIX, a partir de Marx (e contra ele, na maioria dos casos), nos permite, hoje, ver qualquer era da humanidade em termos de forças econômicas, políticas e culturais, mas se queremos enxergar a pessoa humana, fora do quadro de estatísticas e dos movimentos decisivos da História, Sófocles nos diz mais que qualquer outro tratado sobre helenismo em moda. E ficando em Sófocles, basta olhar o manjadérrimo Édipo. Sabemos, como espectadores, que o destino do protagonista foi predeterminado, mas Édipo pensa e age na "ilusão" de que é capaz de fazer o que quiser, ou que for capaz. Em última análise, é uma ilusão mesmo. Nos tempos de Sófocles, os deuses determinavam nosso destino. Hoje, foram substituídos pela Bolsa de Nova York. Há quem chame isso de progresso.
Mas é uma ilusão poderosa. Acredito que até o Jaguar se julgue senhor de si próprio. Mais não preciso dizer. E o artista é a expressão máxima dessa consciência que temos de nós mesmos. Há 700  milhões de teorias estéticas negando o que acabei de dizer. E os últimos pensadores importantes a concordarem comigo, Nietzsche e Freud, são considerados, hoje, pouco "científicos". (...)
Ezra Pound (1885-1972) é o Artista por excelência do século XX. No E.P. Ode por L'Eléction de son Sepulchre, o poeta escreveu a linha autobiográfica citadíssima: His true Penélope was Flaubert. Não dá pra traduzir, porque, em inglês, "true" quer dizer, ao mesmo tempo, "fiel" e "verdadeira", em relação à fiel e verdadeira (única) mulher de Ulisses, Penélope, que, no caso de Pound, ele dizia ser Flaubert, o mestre consumado do estilo, do valor intrínseco da palavra, da literatura pela literatura, da arte pela arte, em suma. O esquerdista ingênuo estremece. Aí está um cavalheiro propondo uma torre de marfim, uma citadela do individualismo, alienado, etc. em face das injustiças e crueldades do nosso tempo. Logo, Pound é "objetivamente" um apologista do status quo, do imobilismo social. Mas se você lê os poemas mais famosos de Pound, Homage to Sextus Propertius e (...) encontrará ataques devastadores à burguesia dominante. O mesmo pode ser dito de outros gigantes da literatura anglo-americana-irlandesa do século XX, Joyce, Eliot, Yeats e D.H Lawrence, todos politicamente (em graus variáveis) reacionários, pelos critérios convencionais.
O desprezo e o ódio que esses artistas têm pela sociedade burguesa é idêntico ao do mais virulento bolchevique de 1917. A diferença, claro, é que eles não aceitam a solução marxista.
(...)
E não só em literatura. Se você ouve Strauss (Richard) e Stravinsky pré-1914, nota que a "selvageria" dos dois contrastava "inexplicavelmente" com o otimismo do liberalismo capitalista na Europa, que não enfrentava uma guerra séria desde 1871 (ou na versão Metternich-Reader's Digest do Dr. Kissinger, desde 1815). Idem, em outro exemplo, o cubismo do "comunista" Pablo Picasso. Haverá coisa mais anti-humanista do que o cubismo, pergunto? É que esses artistas, por sua posição política pública, assumiam inconscientemente a insatisfação do indivíduo com a sociedade de massas. (...)
[Pasquim, n° 177, novembro de 1972, Paulo Francis]

Retomemos o debate. Pra responder a tão esperada questão: "A ARTE PELA ARTE OU A ARTE PARA UM FIM?", vamos ao conceito chave, o principal, porque sem ele não sabemos nem do que estamos falando (como se soubéssemos mesmo), do quê seria arte? Afinal, o que é ARTE? 
Você poderia responder, de forma apressada e desinteressada, que é qualquer coisa feita por um artista, mas aí você estaria jogando toda a responsabilidade sobre o artista (como se não fosse mesmo). E, então, perguntaríamos, de pronto e mais porcamente, quem é esse tal de artista, no que responderíamos, mais rápido e cinicamente que antes, que é o cara, à toa, que se mete a fazer arte, ué! Pois, como se nota, não sairemos desse circo nunca, uma vez que sempre haverão pessoas que fazem algo que dizem ser arte e, por isso, são considerados artistas; e, por outro lado, sempre haverão coisas inexplicáveis que serão chamadas de arte e, por isso, seus autores também serão considerados artistas.
Dito tudo isso, somente pra saber o que é arte e então iniciarmos o debate reflexivo que levaria fatalmente a tão almejada resposta à pergunta inicial, entro em estado profundo de consternação por não ver um fim nisso tudo,  apenas arte, e durmo.


Ciente de que tudo o que eu disser pode e será utilizado contra mim, inclusive o que eu não disser, contribuo com essa discussão que não existe (já que nenhuma tese foi colocada).
Permiti-me não ler o texto do rapazinho aí, já que somos diletantes (preferiria boêmio) cujas reflexões sobre a arte são necessariamente improvisadas. É que, nessa condição, não precisaríamos de ler porra nenhuma pra falar sobre o que for (a transcrição do texto do erudito é incoerente com a introito do tópico). Nada obstante, confesso que tentei lê-lo, o erudito falou em marx, bolsa de ny, sófocles, fiquei curiosíssimo pra saber da feijoada quando pronta, mas tive que parar no parágrafo em que o erudito afirmou que o Nietzsche e o Freud concordavam com ele. Pô, se até os gênios defuntos concordam com ele, quem sou eu pra...
Eu sou só esse cara que tá aí, todo dia, que vocês conhecem, nada demais, daqui nada de incrível ou genial vai sair.
Sobre a arte pela arte ou para um fim, penso que é necessário esclarecer se estamos falando sobre o que a arte é, ou sobre o que ela deve ser.
No primeiro sentido, acho que a arte é algo para um fim, porque tudo o que o homem faz ele faz para um fim. Apesar de sua existência mesma não ter um fim.
No segundo sentido, acho uma discussão infrutífera, não adiantaria dizer que a arte deve ter um fim, se ela, por sua natureza, não tivesse, e vice versa.
Agora, a discussão sobre o que é arte... essa sim vale a pena pegar na pena para pintar o papiro.
Mas também sinto sono, tanto que tentava fazer uma obra de arte, nada de genial, somente algo decente, algo que alguém olhasse e dissesse, é, ok, tem métrica e faz sentido; mas saiu isso:

Te contarei uma novidade, o mundo é uma bola girando há muito tempo no espaço, você preso no mundo, por uma questão de gravidade, por uma questão de vaidade quer ter tudo quer ser livre no mundo uma bola girando, há muito tempo no espaço você preso no mundo por uma questão de gravidade nunca livre nunca dono de nada e nada que há para ser possuído apenas a bola do mundo há muito tempo girando no espaço, por uma questão de vaidade você querendo tudo e não tendo nada senão sua dor, seu amor, e seu sono, o mundo é uma bola girando e você perdendo e ganhando vai no espaço preso achatado na crosta livre para o voo impossível da sua vaidade liberdade e vai idade se alargando no tempo é tudo querer tudo por ter nada a não ser o mundo uma bola gigante girando há muito tempo no espaço você preso no mundo por uma questão de vaidade acumulando e acumulando muita dor, muito amor, e muito sono, o mundo é uma bola girando há muito tempo no espaço seu dia vai acabando seu filho seu neto seu sono uma questão de continuidade oh sua vaidade... você preso ao norte por uma questão de sua vida de sua morte, seu amor, e seu sono, seu mundo é uma bola girando há muito tempo no espaço.

Me arrependi de tudo, sem exceção, não publicarei.