quinta-feira, 26 de julho de 2012

A arte pela arte ou a arte para um fim? that's the question...em aberto.

Eis que Pedrocemvezes faz uma pergunta: as musas de hoje não são mais perfeitas como antigamente eram? Eis que seu interlocutor lhe pergunta: O que é perfeição pra você? Eis que Pedro responde: o Belo. Eis que o outro rebate: Mas o belo não é igual pra todos e, além disso, o Belo nada mais é do que algo criado, racionalmente, para ser belo para determinado público, com o intuito de atingir certo objetivo - causar uma emoção ou um comportamento - pretendido pelo artista. Eis que Pedro não se conforma e insiste que o Belo é o belo e nada mais, e a arte não pode ser somente pragmática, feita com um fim determinado de causar um impacto ou uma emoção controlada pelo artista nas pessoas atingidas por sua obra. Eis que surge, na minha cabeça, o seguinte questionamento: "A arte pela arte ou a arte para um fim?"
Para responder essa pergunta, com certeza, seria necessário um estudo aprofundado sobre a história da arte, desde os tempos remotos dos nossos descendentes primatas das cavernas até os dias de hoje, mas como este é apenas um blog, e não uma revista científica, e os autores são apenas diletantes, e não estudiosos da cepa de um Umberto Eco (felizmente!), então vamos ao improviso...
Mas, antes, transcrevo o trecho de um texto do Paulo Francis que, por coincidência, li ontem e ajudará nesta reflexão improvisada - proponho que este post fique em aberto para intervenções minhas (fonte na cor de sempre) e de Pedrocemvezes (fonte em outra cor de sua preferência ou com aquele grifado branco que você tá usando). Por enquanto, delicie-se com o texto do Paulo Francis:

Os artistas são, entre outras coisas, os historiadores supremos do indivíduo. O desenvolvimento acelerado das ciências sociais no século XIX, a partir de Marx (e contra ele, na maioria dos casos), nos permite, hoje, ver qualquer era da humanidade em termos de forças econômicas, políticas e culturais, mas se queremos enxergar a pessoa humana, fora do quadro de estatísticas e dos movimentos decisivos da História, Sófocles nos diz mais que qualquer outro tratado sobre helenismo em moda. E ficando em Sófocles, basta olhar o manjadérrimo Édipo. Sabemos, como espectadores, que o destino do protagonista foi predeterminado, mas Édipo pensa e age na "ilusão" de que é capaz de fazer o que quiser, ou que for capaz. Em última análise, é uma ilusão mesmo. Nos tempos de Sófocles, os deuses determinavam nosso destino. Hoje, foram substituídos pela Bolsa de Nova York. Há quem chame isso de progresso.
Mas é uma ilusão poderosa. Acredito que até o Jaguar se julgue senhor de si próprio. Mais não preciso dizer. E o artista é a expressão máxima dessa consciência que temos de nós mesmos. Há 700  milhões de teorias estéticas negando o que acabei de dizer. E os últimos pensadores importantes a concordarem comigo, Nietzsche e Freud, são considerados, hoje, pouco "científicos". (...)
Ezra Pound (1885-1972) é o Artista por excelência do século XX. No E.P. Ode por L'Eléction de son Sepulchre, o poeta escreveu a linha autobiográfica citadíssima: His true Penélope was Flaubert. Não dá pra traduzir, porque, em inglês, "true" quer dizer, ao mesmo tempo, "fiel" e "verdadeira", em relação à fiel e verdadeira (única) mulher de Ulisses, Penélope, que, no caso de Pound, ele dizia ser Flaubert, o mestre consumado do estilo, do valor intrínseco da palavra, da literatura pela literatura, da arte pela arte, em suma. O esquerdista ingênuo estremece. Aí está um cavalheiro propondo uma torre de marfim, uma citadela do individualismo, alienado, etc. em face das injustiças e crueldades do nosso tempo. Logo, Pound é "objetivamente" um apologista do status quo, do imobilismo social. Mas se você lê os poemas mais famosos de Pound, Homage to Sextus Propertius e (...) encontrará ataques devastadores à burguesia dominante. O mesmo pode ser dito de outros gigantes da literatura anglo-americana-irlandesa do século XX, Joyce, Eliot, Yeats e D.H Lawrence, todos politicamente (em graus variáveis) reacionários, pelos critérios convencionais.
O desprezo e o ódio que esses artistas têm pela sociedade burguesa é idêntico ao do mais virulento bolchevique de 1917. A diferença, claro, é que eles não aceitam a solução marxista.
(...)
E não só em literatura. Se você ouve Strauss (Richard) e Stravinsky pré-1914, nota que a "selvageria" dos dois contrastava "inexplicavelmente" com o otimismo do liberalismo capitalista na Europa, que não enfrentava uma guerra séria desde 1871 (ou na versão Metternich-Reader's Digest do Dr. Kissinger, desde 1815). Idem, em outro exemplo, o cubismo do "comunista" Pablo Picasso. Haverá coisa mais anti-humanista do que o cubismo, pergunto? É que esses artistas, por sua posição política pública, assumiam inconscientemente a insatisfação do indivíduo com a sociedade de massas. (...)
[Pasquim, n° 177, novembro de 1972, Paulo Francis]

Retomemos o debate. Pra responder a tão esperada questão: "A ARTE PELA ARTE OU A ARTE PARA UM FIM?", vamos ao conceito chave, o principal, porque sem ele não sabemos nem do que estamos falando (como se soubéssemos mesmo), do quê seria arte? Afinal, o que é ARTE? 
Você poderia responder, de forma apressada e desinteressada, que é qualquer coisa feita por um artista, mas aí você estaria jogando toda a responsabilidade sobre o artista (como se não fosse mesmo). E, então, perguntaríamos, de pronto e mais porcamente, quem é esse tal de artista, no que responderíamos, mais rápido e cinicamente que antes, que é o cara, à toa, que se mete a fazer arte, ué! Pois, como se nota, não sairemos desse circo nunca, uma vez que sempre haverão pessoas que fazem algo que dizem ser arte e, por isso, são considerados artistas; e, por outro lado, sempre haverão coisas inexplicáveis que serão chamadas de arte e, por isso, seus autores também serão considerados artistas.
Dito tudo isso, somente pra saber o que é arte e então iniciarmos o debate reflexivo que levaria fatalmente a tão almejada resposta à pergunta inicial, entro em estado profundo de consternação por não ver um fim nisso tudo,  apenas arte, e durmo.


Ciente de que tudo o que eu disser pode e será utilizado contra mim, inclusive o que eu não disser, contribuo com essa discussão que não existe (já que nenhuma tese foi colocada).
Permiti-me não ler o texto do rapazinho aí, já que somos diletantes (preferiria boêmio) cujas reflexões sobre a arte são necessariamente improvisadas. É que, nessa condição, não precisaríamos de ler porra nenhuma pra falar sobre o que for (a transcrição do texto do erudito é incoerente com a introito do tópico). Nada obstante, confesso que tentei lê-lo, o erudito falou em marx, bolsa de ny, sófocles, fiquei curiosíssimo pra saber da feijoada quando pronta, mas tive que parar no parágrafo em que o erudito afirmou que o Nietzsche e o Freud concordavam com ele. Pô, se até os gênios defuntos concordam com ele, quem sou eu pra...
Eu sou só esse cara que tá aí, todo dia, que vocês conhecem, nada demais, daqui nada de incrível ou genial vai sair.
Sobre a arte pela arte ou para um fim, penso que é necessário esclarecer se estamos falando sobre o que a arte é, ou sobre o que ela deve ser.
No primeiro sentido, acho que a arte é algo para um fim, porque tudo o que o homem faz ele faz para um fim. Apesar de sua existência mesma não ter um fim.
No segundo sentido, acho uma discussão infrutífera, não adiantaria dizer que a arte deve ter um fim, se ela, por sua natureza, não tivesse, e vice versa.
Agora, a discussão sobre o que é arte... essa sim vale a pena pegar na pena para pintar o papiro.
Mas também sinto sono, tanto que tentava fazer uma obra de arte, nada de genial, somente algo decente, algo que alguém olhasse e dissesse, é, ok, tem métrica e faz sentido; mas saiu isso:

Te contarei uma novidade, o mundo é uma bola girando há muito tempo no espaço, você preso no mundo, por uma questão de gravidade, por uma questão de vaidade quer ter tudo quer ser livre no mundo uma bola girando, há muito tempo no espaço você preso no mundo por uma questão de gravidade nunca livre nunca dono de nada e nada que há para ser possuído apenas a bola do mundo há muito tempo girando no espaço, por uma questão de vaidade você querendo tudo e não tendo nada senão sua dor, seu amor, e seu sono, o mundo é uma bola girando e você perdendo e ganhando vai no espaço preso achatado na crosta livre para o voo impossível da sua vaidade liberdade e vai idade se alargando no tempo é tudo querer tudo por ter nada a não ser o mundo uma bola gigante girando há muito tempo no espaço você preso no mundo por uma questão de vaidade acumulando e acumulando muita dor, muito amor, e muito sono, o mundo é uma bola girando há muito tempo no espaço seu dia vai acabando seu filho seu neto seu sono uma questão de continuidade oh sua vaidade... você preso ao norte por uma questão de sua vida de sua morte, seu amor, e seu sono, seu mundo é uma bola girando há muito tempo no espaço.

Me arrependi de tudo, sem exceção, não publicarei.

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