Estamos anunciando, a
quem interessar possa, que o último preceito moral caiu.
Não há mais nada que
seja errado.
Não há mais nada que
seja errado, porque não haverá punição divina.
Divina é a vida, deus
não existe.
Nada é errado, porque
a vida continua.
A humanidade não
acabará porque alguém traiu sua mulher, seu marido.
Alguns morrerão.
Haverá roubos e
assassínios e injustiças.
Mas a vida continuará,
e nada fará diferença.
Caiu o último preceito
moral, rapaziada, mulherada, meninada, senhoras e senhores:
Vamos às orgias!
O mundo não será
melhor ou pior porque transamos ou deixamos de transar.
O mundo não será
melhor, porque sempre vivemos, e sempre hemos de viver, à força,
subjugados, maltratados, torturados.
O mundo continuará o
mesmo,
Porque já estamos
fodidos.
Caiu o último preceito
moral:
Vamos à caça!
Vamos ao horror!
Talvez lá encontremos
beleza,
talvez lá encontremos
a verdade.
Caiu o último preceito
moral:
agora só valem o
desejo e o medo (não foi sempre assim?),
agora só importa
dominar ou ser dominado (não foi sempre assim?),
agora só se respeitará
o mais forte (não foi sempre assim?).
Fazer o bem só a nós
mesmos,
ao outro, apenas no
interesse próprio:
visando obter algo em
troca ou sentir-se imponente (não foi sempre assim?).
Caiu o último preceito
moral:
Vamos às orgias!
Vamos ao horror!
Vamos aos abismos!
Talvez lá encontremos
a razão,
talvez lá não
encontremos a razão,
talvez lá abdiquemos
da necessidade de uma razão,
e, com sorte,
encontremos aquilo que sempre buscamos:
um fim.
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